Giramos em torno de um eixo imaginário, nossa individualidade. Ela agrega nosso corpo, sensações, sentimentos e pensamentos em uma unidade, que chamamos eu. Nossa identidade parece ser uma coisa definida que nos caracteriza e pertence. A Mãe, entretanto, adverte que há um equívoco em se afirmar tão apressadamente a individualidade.

“A individualidade é uma conquista.” “É necessário um trabalho tremendo para se individualizar.” Segundo a Mãe observando-se as pessoas “dificilmente existe uma em cada mil que seja individualizada, consciente de si mesma, unida ao seu ser psíquico, regida por sua lei interior.”

Poucos são indivíduos

Ao entrar no mundo já somos cercados por influências poderosas do ambiente e do país em que nascemos. Assumimos os hábitos desse ambiente, não apenas hábitos materiais, mas também hábitos de pensamento e de vida. Ao viver em uma sociedade afirmamos quase que automaticamente os valores daquela sociedade.

“O estado natural das pessoas é estar em tudo que fazem, veem, em tudo que encontram com frequência. Há algo nelas que é muito vago, muito inconsistente que se move em toda parte.” Para a Mãe nossa identidade é tão fluída que se não houvesse “pele” teríamos dificuldade em nos distinguir uns dos outros. E dirigindo-se aos discípulos diz:

“Vocês precisam compreender que não são indivíduos separados, que a vida é uma constante troca de forças, de consciências, de vibrações, de movimentos de todos os tipos.” Nesse sentido nos movemos em bloco como uma
multidão, nela o indivíduo não decide seu direcionamento. “O tempo todo há forças e influências agindo e reagindo sobre você… e a menos que você esteja bem acordado, essas coisas entram e saem e você as toma como suas.”

Autoconhecimento e individualidade

À medida que estiver consciente, você se torna mais livre e individualizado porque observa as influências que chegam e “aceita aquelas que se harmonizam com seu crescimento e desenvolvimento interior e recusa aquelas que a eles se opõem.”

“Para ser individualizado numa coletividade é preciso estar absolutamente consciente de si mesmo, de seu eu. Mas, de qual eu? O Eu que está acima de toda mistura que eu chamo de a Verdade de seu ser. Enquanto você não estiver consciente da Verdade de seu ser, você será movido por todos os tipos de coisas, sem se dar conta disso.”

A individualidade desenvolve-se com o autoconhecimento, com a capacidade de se conhecer com sinceridade e de se escolher com a liberdade de quem sabe o que é autêntico para seu verdadeiro si.

Nota: Todas as citações do texto são encontradas na seguinte referência bibliográfica: Compilation from the Mother’s Writings. Becoming One. The Psicology of Integral Yoga. Pondicherry: Sri Aurobindo Ashram, p.11-14.

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