Segundo Sri Aurobindo, negamos e dissimulamos constantemente o aspecto conflituoso e combativo da vida. Mas, ele nos lembra que:
“Precisamos de honestidade e coragem para olhar a vida face a face, senão nunca chegaremos a uma solução efetiva de suas discórdias e oposições.”
Sri Aurobindo: Essay on the Gita. Pondicherry: Sri Aurobindo Ashram. Tradução Aryamani em execução.
Os temas – conflito, discórdia e luta são tratados com profundidade na Bhagavad Gita, e Sri Aurobindo recoloca a pergunta que Krishna faz a Arjuna:
“De onde vem esse desânimo, essa mancha, essa obscuridade da alma na hora da dificuldade e do perigo?”
ídem.
Arjuna terá que lutar, terá que enfrentar o campo de batalha e está arrasado por ter de fazê-lo. Sua luta será em defesa da honra, da justiça e dos direitos que foram usurpados de sua família. Pesa sobre ele o fato de ter que lutar com seres muito próximos, parentes e amigos, por isso diz:
“Eu não vejo o que me libertará dessa tristeza que seca meus sentidos.”
ídem.

A vida como campo de batalha
A Gita encara de forma corajosa problemas como a maldade, a mentira, a injustiça, a fealdade e a morte e propõe a necessidade de combatê-los. Compreende o mundo e a vida como um campo de ação de forças que se chocam, um campo de batalha que atinge os diferentes aspectos de nossa existência material, mental, afetiva, moral e social. Percebe a situação aflitiva que existe no homem que se vê dividido entre a necessidade de lutar, e a “alta aspiração da alma, pela paz interior e a não violência exterior”.
Em seus Ensaios sobre a Gita, Sri Aurobindo valoriza a alma forte “que nos salva da moleza e do relaxamento… que ama ver a Natureza como amor, beleza e bem e volta suas costas à máscara impiedosa da morte.” A compaixão em seu pensamento é profundamente realista.
“Devemos ver primeiro o que o mundo e a vida são. Em seguida, poderemos buscar melhor a maneira certa de transformá-los naquilo que devem ser.”
ídem.

Um combate que visa a perfeição
O combate proposto, então, não se faz por ódio, cólera ou vingança, mas é uma luta que busca o mais justo, o mais perfeito em nós mesmos, no homem em geral e na sociedade. A batalha é algo peculiar à humanidade, mas dificilmente a vemos como um lugar de purificação e crescimento espiritual. A grande questão diante dessa questão é:
“Como esse aspecto e essa função da vida que é, na verdade, um aspecto e uma função da atividade humana em geral poderão ser harmonizados com a existência espiritual.”
ídem.
Como podemos viver conscientemente no Divino e agir a partir dessa consciência em meio ao desafio e tragédia do conflito? Essa é a questão que o campo de batalha da vida nos propõe, ela foi proposta por Krishna a Arjuna. Este desafio extremo põe em cheque nossos valores e nossas atitudes. Krishna, o Divino Instrutor, diante do campo de batalha destaca o papel da compaixão, um dos maiores elementos da natureza divina e a característica que faz o homem semelhante ao Divino. Então, a luta que merece ser lutada, aquela capaz elevar o patamar da vida pessoal e humana deverá ter em mente a compaixão, um profundo respeito e amor ao homem e ao Divino, caso contrário será barbárie.
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