Existe um tempo que nos convida a parar. Parar ao final do ano parece quase impossível, mas esse é o convite do Natal. E, na contramão desse convite, corremos mais – presentes, roupas, preparação para festa…, há tanto o que celebrar, há tanto o que fazer que o convite fica esquecido, e com ele o significado mais precioso do Natal.

Em busca da magia do Natal

Quem vivenciou a magia mística do Natal, conta que ela acontece no silêncio profundo – Silence Night. Quando tudo se aquieta, nossa mente se cala e o silêncio nos inunda, percebe-se que no interior do coração há claridade, presença, doçura. Há alguém nos esperando nessa quietude – uma criança recém nascida, que com um sorriso de divindade nos saúda.

O evangelista ao narrar o nascimento de uma criança há muito tempo esperada, diz: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós”. Seu nome? – Emannuel, Deus conosco. A criança de Belém, nascida na forma humana há dois mil anos, veio ensinar ao homem a possibilidade de um caminho divino.

A divinização do Homem

Sri Aurobindo move-se na mesma direção e vê a divinização do homem como um corolário da evolução. Segundo o autor, guiado por um princípio evolutivo interno, a vida se transcende em direção a uma vida cada vez mais perfeita e a mente caminha para um superação de si mesma, rumo à supramente.

Com ela haverá: “um novo significado aperfeiçoador das relações entre o espírito e o corpo em que habita… Essa nova relação será de comunhão entre ambos.”

“A mudança supramental trará ao corpo um poder espiritual mais alto e uma força vital maior… e fará sentir a vastidão e a calma do repouso eterno, que pode dar ao corpo uma força e um bem estar mais divinos.”

“Uma Ananda (beatitude) espiritual pode fluir no corpo e inundar as células e tecidos; uma materialização luminosa dessa Ananda superior poderia, por si mesma, trazer uma transformação total da sensibilidade deficiente ou adversa da Natureza física.”

Sri Aurobindo. A Vida Divina. As referências do texto estão entre as páginas 874 a 878 da obra citada.

Nesse sentido, a união plena do humano e do divino, realizada em Jesus de Nazaré se torna um convite feito a todos os homens, porque à luz de um conhecimento mais vasto, diz Sri Aurobindo, pode-se ver que a “matéria também é Brahman”e já existe em nosso corpo a semente do divino e o corpo se desenvolve como iluminação progressiva e infinita. Então o Natal torna-se uma festa mais luminosa, porque não celebra algo que ocorreu há dois mil anos, mas algo maravilhoso que está acontecendo entre nós – a encarnação Divina.

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