Quando se fala em educação, quem sabe a educação do vital seja a mais importante. Isto porque o vital é a força da vida que se manifesta como paixão, entusiasmo, e desejo. O vital é o detentor da energia, do poder e da capacidade de realização.

Dois pontos são enfatizados pela Mãe na educação do vital: A observação detalhada e perspicaz de seus movimentos em nós e a educação dos sentidos.

Observando o Vital

Uma observação cuidadosa do vital tem como ponto de partida a consciência das forças que nos movem, bem como a percepção criteriosa de como elas atuam – no que se faz e porque se faz. É preciso que a pessoa se torne uma testemunha perspicaz de seus desejos, de seus movimentos de violência e paixão, seus instintos de posse e apropriação e dominação, juntamente com suas contrapartidas de fraqueza, desencorajamento, depressão e desespero.

Observar o vital é perceber a dinâmica de seus impulsos poderosos cujas raízes são em grande parte inacessíveis à mente e se apresentam como tendências opostas em uma espécie de luz e sombra. Por exemplo, a covardia que existe no homem corajoso, ou os impulsos maus que existem no homem bom. Somos seres de mistura: esta mistura precisa ser reconhecida e selecionada em nós.

A este respeito, A Mãe nos diz:

“… a vida parece dotar cada um não só da capacidade de expressar um ideal, mas também de elementos contrários que representam de um modo concreto a batalha que ele tem que travar e a vitória que tem que conquistar para que a realização se torne possível. Consequentemente, a vida toda é uma batalha levada a diante mais ou menos conscientemente, mais ou menos voluntariamente… Se as circunstâncias e o ambiente forem favoráveis, a luz crescerá em detrimento das sombras; de outro modo ocorrerá o oposto. Nesse caso o caráter do indivíduo se cristalizará de acordo com os caprichos da Natureza e os determinismos da vida material e vital, a menos que um elemento mais elevado intervenha a tempo…”

Caderno Especial de Ananda: A Mãe: Educação – Um Guia para o Conhecimento e o Desenvolvimento Integral de Nosso Ser. Belo Horizonte: Casa Sri Aurobindo, p.31.

Trabalhar a Vontade

Essa capacidade de observação de si torna-se valiosa à medida em que está ligada à vontade de progresso e perfeição no ser humano. É importante trabalhar a vontade.

“A vontade pode ser cultivada e desenvolvida assim como podem os músculos, por meio do exercício metódico e progressivo… O que você decidir fazer, você deve fazer, custe o que custar, mesmo que para fazê-lo tenha que renovar seu esforço sempre de novo, um número indefinido de vezes.” 

 Ídem, p.34.

A Mãe, porém, alerta que a validade do esforço da vontade depende do ideal que ela busca atingir, pois:

“Uma vida sem objetivo é sempre uma vida miserável. Mas não te esqueças que da qualidade de teu objetivo dependerá a qualidade de tua vida.”

 A Mãe. Tesouros de luz. São Paulo: Shakti.p.11.

Educação dos Sentidos     

O segundo elemento que A Mãe salienta na educação do vital é a educação dos sentidos, que consiste no trabalho de refinar, ampliar e sutilizar suas capacidades. Olhar com atenção, ouvir com profundidade, sentir o toque das coisas, o perfume, o gosto em suas nuances, encanta a vida. Pois, vital tem a capacidade de admirar, sensibilizar e entusiasmar com algo maior e mais elevado que si mesmo, e quando isso ocorre, ele próprio se eleva.

Referindo-se à criança, A Mãe nos diz:

“Um cultivo metódico e esclarecido dos sentidos pode, pouco a pouco, eliminar da criança tudo que é contagiantemente vulgar, banal e grosseiro. Esta educação terá efeitos muito felizes até sobre o caráter, pois aquele que tiver um gosto verdadeiramente refinado, devido a este refinamento, sentir-se-á incapaz de agir de maneira grosseira, brutal ou vulgar. Este refinamento, se for sincero, trará ao ser uma nobreza, uma generosidade que espontaneamente encontrarão expressão em seu comportamento.”

 A Mãe. Caderno Especial da Ananda: Educação. P.33.

A influência do ambiente

A Mãe observa que o ambiente pós guerras, bem como as tensões nervosas de nosso modo de viver, provocaram uma crescente vulgaridade nos indivíduos e na sociedade e vê nisto um sinal de decadência social e declínio da civilização. O vital é grandemente afetado por seu entorno, pelo ambiente e pelas pessoas com as quais convive. Nele estão as forças que movem a vida, e ao lado da importância da saúde do corpo e da beleza de seus movimentos, existe a saúde do psicológico, grandemente influenciada pela beleza e harmonia.

O vital dá o colorido de nossa vida e, poderíamos dizer que o homem vale pela afetividade de cultivou, pela direção que deu a seus impulsos, para onde dirigiu sua energia de vida. Daí a importância do vital ser educado e refinado no dia a dia.

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