O Símbolo da Mãe é constituído por uma rosácea que possui:
- Um centro
- Quatro pétalas ao redor do centro
- Doze pétalas em torno das quatro anteriores
O centro da rosácea representa A Mãe suprema e transcendente.
“Ela abriga o Poder Absoluto e a Presença inefável, chamando ou contendo as Verdades que devem ser manifestadas…”
(Sri Aurobindo. A Mãe. Salvador: Casa Sri Aurobindo, 1976,p.37.)
A Mãe suprema e transcendente manifesta-se através quatro grandes aspectos, poderes, ou personalidades que estão representadas nas quatro pétalas que circundam o centro do símbolo, e podem ser chamadas de forças da Natureza. Estas forças encontram-se em nós mesmos e em tudo que existe em nosso redor, e embora existam outros aspectos da Mãe Divina que não estão manifestados em nosso mundo, aqui podemos identificar:
Maheshwari: É A Mãe Sabedoria, que ensina e retira os véus de obscuridade e ignorância para que a percepção possa ser sempre mais clara e próxima da verdade. Seu objetivo é que seus filhos realizem a consciência plena, e para isso ela mergulha no inconsciente com a origem da criação e partir daí a encaminha a um conhecimento progressivo que deve chegar ao autoconhecimento e a iluminação. Este processo necessita de uma paciência infinita o que faz de Maheshwari uma mestra grandiosa e muito amorosa.
Mahakali: É A Mãe Guerreira, lutadora e poderosa que atua em cada criatura. Ela não tolera fraqueza, desânimo, medo. Age como o pássaro que empurra seus filhotes para fora do ninho, exigindo superação e destemor. Mahakali se indispõe com tudo que paralisa, e por isso ela é intolerante com o erro que se repete na ação, na mente ou no coração dos indivíduos e das sociedades. Pode-se despertar sua fúria, mas mesmo quando age com força, investindo contra o erro, ela não é senão a mãe amorosa que quer o crescimento de seu filho. Sua postura firme apressa o desenvolvimento que poderia ser muito lento se não fossem seus impactos transformadores. Sua ação é necessária para prevenir ou reparar injustiças. Ela atua com toda sua força quando o inimigo quer diminuir, escravizar ou arrastar suas criaturas para níveis de vida incompatíveis com sua liberdade e dignidade. Seu sorriso encoraja, desperta o forte que há em nós.
Mahalaksmi: É a face Mãe/Natureza que mais nos atrai. Ela é o encanto, a beleza e a harmonia que existe em cada ser. Laksmi prende o olhar porque a beleza e a graça são cativantes, e possuem um rosto diferente em cada criatura. Às vezes, cegos para o essencial, passamos por ela desatentos. Perder a capacidade de admirar e encantar-se, indica o afastamento de Laksmi. Como Senhora da beleza, da harmonia e do amor, ela não convive com o grosseiro, com o maldoso ou com falso, bem como com situações, coisas ou pessoas agressivas que destroem a harmonia e a dignidade. Sua atitude é leve, com serenidade convida ao que é elegante e belo, e com a mesma leveza gratifica quem sinceramente a invoca. A face graciosa de Laksmi é a forma mais sedutora da presença do Divino no mundo, seu amor aquece o coração e dá sentido à vida, sua alegria renova e mantém a esperança.
Mahasaraswati: É A Mãe que cuida da ação, ela acompanha o processo que visa realizar em cada um, a obra prima que foi projetada pelo Divino. É meticulosa e não se importa em parar, revisar e refazer suas obras, uma vez que suas criaturas são inteligentes e aprendem com os próprios erros. O fundamental é ter paciência e humildade para se corrigir, e respeito para com o próprio tempo. Não se pode apressar o despertar da flor, não existe pressa no tempo da Natureza, ele atua com sabedoria unindo ciência e arte, dedicando-se por inteiro a cada uma de suas etapas. Ao final, a obra realiza a perfeição prevista no projeto e colhe com gratidão o prêmio de sua caminhada.

As doze pétalas que complementam a rosácea são chamadas de qualidades ou poderes da alma, e estão descritas no Caderno Especial de Ananda, O Caminho Ensolarado:
Coragem: é um sinal de nobreza da alma. A coragem é calma, mestra de si, generosa e benevolente, não importando o domínio ou o perigo. A coragem mais nobre é reconhecer os próprios erros.
Progresso: por ele estamos na Terra, ele representa a verdadeira alegria.
Receptividade: para receber a pessoa precisa se abrir e só abrimos se nos damos.
Aspiração: conquista todos os defeitos. Devemos aspirar por ser livres de toda ignorância e ter uma fé verdadeira.
Perseverança: é paciência em ação, rompe todos os obstáculos.
Gratidão: abre todas as portas e permite que a Graça que salva penetre profundamente. A nobreza de um ser se mede por sua capacidade de gratidão.
Humildade: é a primeira qualidade requerida no Ioga. Consiste em saber que a Consciência e a Vontade Suprema existem, e que o eu não é.
Sinceridade: somente aqueles que já são muito sinceros sabem que não são completamente sinceros. A sinceridade assegura a unificação e harmonização do ser inteiro, em todas suas partes e movimentos em torno da Vontade Divina.
Paz: na paz e no silêncio o Eterno se manifesta. Não deixe que nada o perturbe e o Eterno se manifestará. É numa paz inabalável que pode ser encontrado o verdadeiro poder.
Equanimidade: é a paz e calma imutáveis.
Generosidade: dá e dá-se sem barganhas. Tudo na Natureza é espontaneamente generoso.
Bondade: você precisa ser bom por amor a bondade, ser justo por amor à justiça, ser puro por amor à pureza – assim você certamente avançará no caminho.
Fonte: Casa Sri Aurobindo. O Caminho Ensolarado. Caderno Especial de Ananda. Verão 2009/2010,p.51-55.
* Recomendamos que os textos do blog sejam lidos duas ou três vezes, se possível com intervalo entre as leituras. Percebemos que cada vez que retomamos um texto de Sri Aurobindo ou da Mãe, ele nos ensina algo que ainda não havíamos notado.