A mente precisa ser educada. A Mãe analisa cinco fases da educação da mente, que no Ioga Integral referem-se não só a capacidade de aprender, mas especialmente a nossa forma de ser e agir. Estes aspectos podem ser simultâneos ou sucessivos e merecem atenção – tanto no processo de educação infantil, como na árdua tarefa diária de lidar com nossa mente.
Capacidade especulativa do metal
Existem três fases da educação da mente, que dizem respeito ao mental especulativo, ao mental que aprende.
Concentração e atenção
A primeira fase na educação da mente destacada pela Mãe trata do desenvolvimento da concentração e da atenção. Para a Mãe:
“ Não há nada no campo humano e mesmo no sobre-humano cuja chave não seja o poder de concentração.”
Caderno Especial de Ananda: Concentração, Seu Valor na Vida e no Yoga. Belo Horizonte: Casa Sri Aurobindo, p.1.
Normalmente a mente está dispersa, espalhada em focos diversos que a cansam e agitam sem nenhuma utilidade. Dispersão é pura perda de sua energia tão preciosa.
“Pela concentração trazemos de volta todos os fios espalhados da consciência em um único ponto.”
Caderno Especial de Ananda: Concentração, Seu Valor na Vida e no Yoga. Belo Horizonte: Casa Sri Aurobindo, p.3.
Isto fortalece a mente e a direciona de forma construtiva em direção a seus objetivos.
Ao lado da concentração, A Mãe destaca a importância da observação e atenção, porque as respostas que damos às mais diversas situações dependem da atenção, tanto ao contexto quanto aos detalhes que definem esta situação.

Ampliação e flexibilização
Um segundo ponto a ser cultivado trata da ampliação e flexibilização da mente, abrindo-a para um leque variado de temas que tem por objetivo torná-la mais aberta, dinâmica e compreensiva.
A flexibilização ocorre pela variedade de assuntos apresentados à mente, mas também pelo desafio de tratar um mesmo tema de várias maneiras, para que se entenda de forma prática que existem muitas formas de encarar uma mesma questão. Isto, segundo A Mãe, remove a rigidez do cérebro, relativiza o que já foi aprendido e permite a construção de sínteses cada vez mais complexas e abrangedoras.
Síntese em torno de uma ideia central
A diversidade, o complexo e mesmo o contraditório são interessantes e valiosos na educação e desenvolvimento da mente, mas precisam ser organizados em sínteses para que o caos não comande a mente.
“Todas as contradições podem ser transformadas em complementações, mas para isso é necessário que se descubra a ideia mais elevada que terá o poder de uni-las harmoniosamente.”
Caderno Especial de Ananda: A Mãe: Educação – Um Guia para o Conhecimento e o Desenvolvimento Integral de Nosso Ser. Belo Horizonte: Casa Sri Aurobindo, p.38.
E, este é o terceiro ponto.
“Nem é preciso dizer que este trabalho de organização não pode ser feito de uma vez por todas. O mental, para manter seu vigor e sua juventude, deve progredir constantemente, rever suas noções à luz do novo conhecimento, alargar suas estruturas para incluir noções recém chegadas, reclassificar constantemente e reorganizar seus pensamentos, a fim de que cada um deles possa encontrar seu verdadeiro lugar em relação aos outros e o todo permanecer harmonioso e ordenado.”
Ídem, p.39.

As três fases da educação da mente até aqui apresentadas dizem respeito ao mental especulativo, ao mental que aprende. Mas, tão importante quanto aprender é a capacidade construtiva do mental: a capacidade de formar e preparar a ação. Esta capacidade tão valiosa , raramente tem sido objeto de estudo ou de alguma ação especial.
Capacidade construtiva do mental
O controle do pensamento
Pensar somente o que se quer, quando se quer. Isso é controlar o pensamento.
“O controle sobre a atividade formativa do mental é um dos aspectos mais importantes da autoeducação; pode-se dizer que sem ele nenhum controle sobre o mental é possível. No que diz respeito ao estudo, todas as ideias são aceitas e devem ser incluídas na síntese,… mas no que se refere a ação é justamente o oposto. As ideias aceitas para a tradução em ação devem ser estritamente controladas e apenas aquelas que combinam com a tendência geral da idéia central que forma a base da síntese mental devem ser autorizadas a se expressar em ação. Isto significa que todo o pensamento que penetra a consciência mental deve ser colocado diante da ideia central; se encontrar um lugar lógico entre os pensamentos já agrupados ele será admitido na síntese; se não será rejeitado para que não exerça nenhuma influência na ação. Este trabalho de purificação mental deve ser feito com muita regularidade a fim de assegurar um completo controle sobre nossas ações.
Com este objetivo, é bom reservar todo dia algum tempo para que se possa com tranqüilidade examinar detalhadamente seus pensamentos e ordenar sua síntese. Uma vez adquirido o hábito, pode-se manter o controle sobre seus pensamentos, mesmo durante o trabalho e a ação, permitindo que venham à tona somente aqueles que são úteis para o que no momento se está fazendo.”
Ídem, p. 40.

O silêncio mental
“Se na intensidade da concentração tornar-se necessário não pensar de modo algum, toda vibração mental pode ser acalmada e um silêncio quase total pode ser obtido. Neste silêncio podemos gradativamente nos abrir para regiões mais altas do mental e aprender a registrar as inspirações que vem de lá.
Mesmo antes de alcançar este ponto, o silêncio em si mesmo é supremamente útil, porque na maioria das vezes uma pessoa que tem um mental muito desenvolvido e ativo, este nunca descansa. Durante o dia a atividade é mantida sob um certo controle, mas à noite durante o sono do corpo, o controle do estado de vigília é quase que totalmente removido e o mental se entrega a atividades excessivas e com frequência incoerentes.
Isto gera uma grande tensão que leva a fadiga e a diminuição das faculdades intelectuais. O fato é que como todas as outras partes do ser humano, o mental também precisa de repouso e não obterá este repouso a menos que saibamos como proporcioná-lo. A arte de repousar o mental é uma coisa a ser adquirida. Mudar a atividade mental é certamente um meio de repousar, mas o maior repouso possível é o silêncio. E no que diz respeito às faculdades mentais, alguns minutos passados na calma do silêncio são um repouso mais eficaz que horas de sono.
Quando se tiver aprendido a silenciar o mental à vontade e a concentrá-lo em um silêncio receptivo, então não haverá problema algum que não possa ser resolvido, dificuldade mental cuja solução não possa ser encontrada. Quando está agitado, o pensamento torna-se confuso e impotente; em uma tranqüilidade atenta, a luz pode se manifestar e abrir novos horizontes às capacidades humanas.”
Ídem p.41.

Observação: A cor amarela representa o mental, por isso foram usadas flores amarelas nos dois posts sobre Educação da Mente.
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Por último, listamos alguns textos relacionados em nosso blog:
Educação de Si – Educação do Outro
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