Sri Aurobindo percebe nuances de sentido nas palavras – quietude, calma, paz e silêncio. Mas no presente post nos deteremos na Calma. 

“Há um lugar no ser interior onde sempre se pode permanecer calmo e de lá olhar com equilíbrio e discernimento as perturbações da consciência de superfície e de lá agir sobre ela para mudá-las. Se você puder aprender a viver nesta calma do ser interior, você terá encontrado sua base estável.”

 Sri Aurobindo. A Consciência que Vê I, Cartas. Salvador: Casa Sri Aurobindo, p. 22.

A calma interior não significa ausência dos redemoinhos da vida, mas um reduto interno que permite olhar para as coisas, sem se envolver nos abalos emocionais e nas gritarias mentais que caracterizam a consciência de superfície. Sem a distância interna propiciada pela calma, nós ficamos atados às condições da vida material, flutuando sem governo ao sabor das circunstâncias de cada dia.

A Calma vem de dentro

Existe uma presença imóvel, quieta e calma que nos acompanha sempre. Para entrar em contato com ela, precisamos ver a partir de dentro. Precisamos descobrir o ser interno, seu silêncio, seu poder de observar sem se envolver. Esse ser nos compreende, orienta e estabiliza face à agitação quase constante que nos ocupa na exterioridade. 

Essa calma que nasce de nosso ser mais profundo atua sobre nossa mente que por sua vez age sobre o cérebro, o sistema nervoso e o sistema endócrino coordenando todo nosso corpo. Nos surpreendemos, certas vezes, ao perceber em nós um equilíbrio, um centro sereno que desconhecíamos, mas ele está lá, disponível sempre.

“Essa calma estabelecida em todo o ser deve permanecer a mesma, aconteça o que acontecer, na saúde e na doença, no prazer e na dor, mesmo na dor física mais imensa, na boa fortuna e no infortúnio, o nosso próprio ou daqueles que amamos, no sucesso e no fracasso, na honraria e no insulto, no elogio e na censura, na justiça e na injustiça que nos é feita – em tudo que em geral afeta nossa mente.”

Sri Aurobindo. A Síntese do Ioga. Os princípios do ioga integral para a plenitude e unidade do ser e da existência. São Paulo: Editora Pensamento, 2021, p. 641.

Calma e elevação da Consciência

Sri Aurobindo vê na calma uma positividade, uma elevação que nos põe acima da consciência de superfície e de lá afirma a liberdade e a posse de si mesmo, diante das oscilações da vida.

A calma, segundo o autor, é o fundamento da consciência ióguica, a consciência que nos liga aos planos maiores que existem em nós. Essa calma precisa penetrar nossa mente, nosso vital, nosso corpo, e também nossas células para tornar possível a transformação e elevação do homem.

Sri Aurobindo. A Consciência que Vê, p. 24.

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Da mesma forma, releia em nosso blog alguns textos relacionados:

Educação do Vital

Educar o corpo

Educação da Mente

O Caminho do Ioga

Por fim, você também pode se interessar pelo trabalho da Casa Sri Aurobindo.