Um vigoroso filho do relâmpago chegou à terra com os pés de fogo da rapidez, esplêndido;
A luz havia nascido em um ventre e a força do trovão enchia uma forma humana.
A calma rapidez do céu, a doce grandeza, a paixão pura, o poder alado desceram;
Todos os deuses habitavam um corpo mortal, levavam um único nome.

Uma onda imensa de movimento agitou todo o globo obscuro em cada dobra* alegre e sonhadora;
A vida foi moldada na grandeza, as mãos do oceano tomaram as rodas do Tempo.
A alma do homem voltou a ser um auriga luminoso do carro dos dias ao serviço dos deuses impetuosos e audazes,
Lançado pelo Um nas vias aladas-de-tempestade, uma flecha dirigida a alturas sublimes.

As velhas tabuinhas caíram com barulho, o muro antigo e lento da Natureza foi rompido em pedaços,
Deus renova-se em um mundo de beleza, de pensamento e de flama juvenis:
Vozes divinas falaram pelos lábios dos homens, o coração desperta para as auroras brancas da maravilha fulgurante,
O ar, uma veste de esplendor, a respiração, uma alegria, a vida, um jogo, como de deus.

* fold – em geologia, “fold” quer dizer uma dobra, uma curva nas camadas rochosas.

Sri Aurobindo, c. 1930 – 1938