Este post destaca a presença encantadora das crianças entre nós. Com elas recordamos a matriz de pureza, alegria e confiança que marca a infância e que devemos manter durante toda a vida. Iniciamos descrevendo duas situações vividas com crianças, para em seguida estabelecer uma relação entre elas e os ensinamentos da Mãe.

Duas experiências marcantes:

A primeira situação aconteceu com uma criança de dez anos que apresentava sua apostila, passando pelos diversos conteúdos até chegar à disciplina de História. Aí parou em um tema recém estudado: A Escravidão Negra. Mostrava-o com lágrimas nos olhos e cobrindo o rosto com as mãos dizia: Eu não acredito que isso existiu, não acredito que fizeram isso com os negros! Desolada, descrevia o transporte nos navios negreiros, a pestilência, a doença e a morte ali existentes. Descrevia a dor de se chegar a um lugar estranho, ser separado da família, avaliado e vendido como um animal. Descrevia a tristeza, o banzo, as correntes, as formas de flagelo e tortura no tronco. Era uma criança chocada com a injustiça e a desumanidade.

A segunda situação aconteceu com uma criança de treze meses. Foi uma experiência muito feliz em que ela ensaiava seus primeiros passos e, de repente se sentiu pronta, elevou-se nas duas perninhas e saiu andando. Ela mesma parecia não acreditar no que estava acontecendo, ria, gargalhava alto, forte, sem parar. Gritava de alegria, era um puro jorro de felicidade! Sacudia as mãos para confirmar a festa e quando caía, levantava rápido para continuar aquele deleite continuado de ficar em pé e andar. Foi contagiante.

As duas experiências foram marcantes. Uma pela alegria da criança em acreditar e realizar um poder inerente ao ser humano, a outra pela inconformidade diante daquilo que é feio, bruto, indigno.

Uma propensão inata para o progresso e para a felicidade

 

Segundo a Mãe, há na criança uma propensão inata para a felicidade, para a beleza e bondade, “há sempre nos sonhos das crianças, uma espécie de aspiração, uma vontade por algo que seria beleza sem fealdade, justiça sem injustiça, bondade sem limites, sucesso constante, um milagre incessante.”

The Mother. The Mother’s Vision. Selection from Questions and Answers. Pondicherry: Sri Aurobindo Ashram. Demais citações e paráfrases do post se encontram entre as páginas 424-429 dessa obra.

Para a Mãe uma criança que não tenha sido lesada pela vida, acredita em suas possibilidades, em sua força, curte a alegria de cada momento, vê a vida como um sinônimo de brincadeira e felicidade. Este é o sonho constante de uma criança. É nisso que devemos confiar e ter como meta de vida.

Os “realistas” abandonam o sonho e dizem sisudos: “Isso é um sonho, não é uma realidade.” Segundo a Mãe essas pessoas deveriam fazer exatamente o oposto, e como uma criança confiar no sonho e perceber que “isso não é apenas algo possível, mas algo certo se você puder entrar em contato com a parte que em você pode realizar isso. E é isso que pode guiar sua vida, organizá-la, desenvolvê-la em direção à verdadeira realidade…”

Segundo a Mãe, a sensação de impotência, de “não vou conseguir”, de “a vida não é assim”, libera como que um ácido destruidor do ser, que tira a esperança, a certeza e a confiança em nossas possibilidades. Deveríamos segundo ela, então dizer: “Sim, no momento as coisas parecem ser feias, mas por detrás disso há uma beleza tentando se destacar, e é isso que você deve amar e atrair para você, e é isso que você deve fazer objeto de seus sonhos…”

A Mãe foi a maior testemunha da verdade dessas palavras, sua vida foi uma criação contínua, perto dela as coisas saiam do nada e ganhavam vida. Ela transformava continuamente possibilidade em realização. Sua fé na vida fez do progresso uma característica do Yoga Integral.

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