Este post tem como tema – a paz, nele colocamos lado a lado as formulações de Sri Aurobindo e as da Mãe sobre o assunto. No post anterior, vimos a calma, agora veremos a paz, na perspectiva de um e de outro.
Relaxe enquanto lê este texto, sinta suas palavras, abra-se à paz.
A Paz – segundo Sri Aurobindo
Sri Aurobindo faz diferenciações sutis entre os estados de quietude, calma, paz e silêncio. Nos deteremos nos três primeiros. Percebemos entre eles uma gradação que vai de nossos estados mais externos, aprofundando-se em direção ao ser interior em uma compreensão cada vez mais plena de nós mesmos.
Segundo o autor:
A quietude significa a ausência de inquietação ou perturbação e, por isso Sri Aurobindo diz que este é um estado negativo, porque ele representa algo não temos – a inquietação.
A calma é mais positiva do que a quietude porque ela não é simplesmente a ausência de inquietação, mas inclui – estar centrado, em posse de si mesmo, livre interiormente.
A paz é uma atitude ainda mais positiva porque além de um sentimento de liberdade e posse de si, ela traz consigo um sentido de descanso, uma segurança e uma harmonia estabelecidas, como se fosse um mar de tranquilidade, um mar sem ondas de Ananda – Alegria, Bem-estar, Amor.
Glossary of Terms in Sri Aurobindo’s Writings. Pondicherry. Sri Aurobindo Ashram. Transcrição livre.
Ou seja, quietude, calma e paz são gradações do mesmo fenômeno e, com frequência estão implicados entre si.

A Paz – segundo A Mãe
Para A Mãe, a Paz é um imenso silêncio – vasto e forte. É tranquila, absolutamente imóvel.
Quando a paz nos toca, ela precisa encontrar condições em nossa mente, em nosso vital e em nosso corpo para ali permanecer, porque se estamos perturbados seu efeito em nós diminui. Por isso, a paz precisa ser assimilada integralmente em nós, e atingir até mesmo nossos músculos e tecidos. A paz depende de um equilíbrio entre nosso ser interno e externo. Diante dele o corpo alarga-se, as células dilatam-se e ocorre uma equanimidade perfeita entre o corpo e o espírito.
A paz dissipa, segundo a Mãe, todas as imperfeições, tudo o que nos perturba e agita. Ela exerce um poder purificador sobre nós e se expressa por uma iluminação e uma espécie de alegria, que torna tudo tão vasto como se não houvessem barreiras e os acontecimentos exteriores perdessem sua força ante o poder de sua tranquilidade.
O ser humano sente e deseja a paz. Ela é uma presença sublime que está constantemente exercendo seu efeito sobre a atmosfera. Segundo a Mãe quando a paz desce sobre a Terra, há uma descida da Verdade também, e tudo parece alegre, festivo, puramente divino, como se houvesse um novo nascimento. E quando nos banhamos na paz renascemos perpetuamente.
The Mother. Trob of Nature. Pondicherry: Sri Aurobindo Ashram. Transcrição livre, p.140-141
Para ter paz, precisamos segundo a Mãe, querer a paz, chamá-la e chamá-la sempre. Ela pede que várias vezes ao dia nos concentremos, e com consciência chamemos – paz, paz, paz! Ela garante que se você for perseverante e sincero ela virá até você em maior ou menor tempo.

OM, Shanti, Shanti, Shanti, Hari OM.
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