Há, entre nós, a constatação de que os mecanismos de que dispomos para pensar e agir diante da dualidade do bem e do mal são insuficientes. Os conflitos entre o bem e o mal estão aí, nos afetam diariamente, apesar de possuirmos princípios racionais, religiosos, jurídicos e sociais para pautar nossas condutas. Fica cada vez mais claro que sanções ou vetos exteriores, não possuem poder ou inspiração suficientes para harmonizar de maneira eficaz pessoas e sociedades. 

Para Sri Aurobindo, o homem precisa dar mais um passo e descobrir que há em si, algo mais válido e mais durável, uma lei interna, uma ampliação de sua consciência capaz de produzir uma transformação da maneira pela qual vê a si e aos outros, e desta forma produzir relacionamentos mais éticos, mais generosos e mais humanos.

O discernimento da Alma

“Há certamente em nós, embora mais difícil de despertar, mais mascarado pelos elementos de superfície, um sentido espiritual mais profundo: o discernimento da alma, uma luz inata no interior de nossa natureza.”

Sri Aurobindo. A Vida Divina. Uma visão da evolução espiritual da humanidade. São Paulo: Editora Pensamento, p. 553. Reflexões e paráfrases desse post, p. 503-504.

A alma se volta intrinsecamente para a Verdade, o Bem e a Beleza, mas usa a dualidade bem e mal, em seu processo evolutivo. Usa-os para que através de suas experiências, nossa mente e nossa vida possam sair da Inconsciência e Ignorância e caminhar em direção a uma consciência e conhecimentos integradores, capazes de ampliar nossa visão e elevar nossos comportamentos.

A entidade psíquica (a alma) está aí para isso, e de vida em vida segue sua tendência, sempre crescente, para o alto, insistentemente. O crescimento da alma é um crescimento que leva em direção à luz, e ultrapassa a falsidade em direção à verdade, o sofrimento em direção à felicidade.

Nesse sentido, a percepção que a alma tem do bem e do mal não coincide com as normas artificiais da mente, mas tem um sentido mais profundo, uma discriminação mais segura tanto daquilo que aponta em direção à Luz como daquilo que a afasta da Luz. A alma age em função de um imperativo interno que lhe mostra o mais justo e o mais verdadeiro em cada situação, guia-se por um ideal ético mais profundo que mostra que há algo que devemos nos tornar e ser.   

Rumo a uma perfeição maior

Porém, esse ideal ético mais profundo ainda não está realizado entre nós. Ele ocorre ocasionalmente, mas cada vez que vemos uma ação brotar do bem e verdade que procedem da alma, nos comovemos diante de sua grandeza. 

Sri Aurobindo comentando a respeito da visão tão pequena que temos de nós mesmos e dos outros, essa visão centrada em nosso pequeno eu, o nosso ego vital, nos adverte que senão o ultrapassarmos: “o empurrão da vida será demasiado forte para nosso ideal estreito de perfeição.”

 Ídem p. 567.

Ele não nos pede algo impossível, mas algo que já está em nós. Ele não nos pede algo que cerceia nossa liberdade, mas a amplia, porque as leis que procedem desse núcleo interno são bondosas e verdadeiras, criativas e plásticas.

Links

Por último, listamos alguns textos relacionados com o tema Bem e Mal e Ser Psíquico em nosso blog:

A Dualidade do Bem e do Mal e o Ser Vital

Dualidade do Bem e do Mal e Evolução

O Caminho do Ioga

Ioga Integral: Indivíduo e Sociedade

Você também pode se interessar pelo trabalho da Casa Sri Aurobindo.