Trazemos a dualidade do bem e do mal em nós. Como luz e sombra, misturados eles convivem em maior ou menor proporção em nossa consciência. Segundo Sri Aurobindo, o bem só existe pela consciência verdadeira, o mal só existe através de uma consciência falsa. Mesmo que vivamos a mescla de bem e mal, a prioridade do bem é inegável, pois:

“Se houver uma consciência verdadeira, sem mistura, só o bem poderá existir.”

Sri Aurobindo. A Vida Divina. Uma Visão da Evolução Espiritual da Humanidade.São Paulo: Pensamento, 2018. p. 545.

De fato, a luz não depende da sombra, já a sombra não existe sem a
luz.

O ego vital

O Ego Vital

A origem dessa dualidade no homem dá-se com o surgimento do ego. Sri Aurobindo chama de ego vital ou mente vital, as forças do ego que estão em permanente batalha para manter o campo da individualidade e sua preservação na vida.

O ego vital procura manter-se fora da massa indeterminada do subconsciente de onde surgiu e de início usa de forças primitivas, imaturas e ignorantes visando estabelecer-se. Para isso constrói uma cidadela de combate e dominação em torno de si e, cego e focado em seus desejos torna-se uma fonte ativa de discórdia e desarmonia, uma causa de perturbações interiores e exteriores da vida e uma das principais causas da ação má e do mal.

Fechado em seu próprio âmbito, ego vital só vê a si, quer o melhor de tudo para si, considera que suas ideias são verdadeiras e seus desejos válidos. “Mim”, “Meu” e “Eu” são suas palavras preferidas, por isso necessita de lugar, expansão, posse do mundo, dominação e controle das coisas; necessita um espaço vital, um lugar ao sol.

A Dualidade do Bem e do Mal e o Ser Vital

O Ego Vital Primitivo

Segundo Sri Aurobindo: O elemento vital natural em nós, na medida em que não é treinado ou reprimido em seu estado primitivo, age sem limitações de valores morais, éticos ou espirituais. Ele não se preocupa com a verdade, nem com a consciência ou ação justa; o que o move é a expansão vital, a posse e satisfação de seus impulsos e desejos. Ele pode tentar fazer isso por meio de métodos que crê justos; mas pode usar também de violência aberta, astúcia, falsidade ou, agressão destrutiva.

Nessa luta de autoafirmação, o ego vital mal formado introduz o ódio e aversão a tudo que faz obstáculo à sua expansão e, pode desenvolver crueldade, traição e todo o tipo de mal, pois para satisfazer seus desejos e impulsos, a força propulsora da vida não leva em conta o certo e o errado.

(Reflexões, paráfrases e citações das páginas 563-564 da obra acima.)

O desafio do ego vital

O Desafio do Ego Vital

Sri Aurobindo descreve com uma claridade chocante, a agressão e a força com que o ego vital se impõe, e como sua consciência limitada produz falsidade no campo das ideias e maldade no campo das ações. A defesa do ego e de seu espaço de vida é feroz.

Nosso verniz nos impede de percebermos essa ferocidade em nós, é mais fácil vê-las nos outros, em situações de crise, traição, guerra. Mas ela está lá, constantemente à espreita, e irrompe com força surpreendente em situações que ameaçam o ego vital individual ou coletivo e sua autoafirmação no mundo. É preciso reconhecer essa fera que se apossa do homem, observar quando e porque ela aparece e qual a reação que
temos diante dela, pois, somos seres que podemos nos tornar perigosos em
determinadas circunstâncias.

Esse ego vital tem se repetido na história das armas e das guerras, na história das injustiças, a barbárie fica próxima quando ele domina. Muitos meios foram usados para controlar o ego vital, mas este controle tem sido, até hoje, parcial e temporário. Veremos em próximo post como a humanidade tem enfrentado o desafio de transformar o ego vital e a posição do Ioga Integral de Sri Aurobindo diante dele.

Links

Por último, listamos alguns textos relacionados em nosso blog:

Educação do Vital

O Caminho do Ioga

Ioga Integral: Indivíduo e Sociedade

Você também pode se interessar pelo trabalho da Casa Sri Aurobindo.