O amor é a vibração inicial da criação: expansiva, envolvente e doce, de uma doçura forte. Ele cria, está presente na manifestação de todas as formas, e as sustenta e aperfeiçoa ao longo da evolução.
A Mãe fala do amor a partir de suas experiências internas.
“Só quem ama pode reconhecer o amor. Aqueles que são incapazes de se doar em um amor sincero, nunca reconhecerão o amor em nenhum lugar, e quanto mais o amor for divino, isto é, mais altruísta, menos o reconhecerão.”
Citações e redação a partir de: Compilation from the Mother’s Writings. Becoming One. The Psychology of Integral Yoga. Ponducherry: Sri Aurobindo Ashram, p. 297-304.
Para ela o amor está na origem de todos os seres. Ela o visualiza como uma força que se irradia, uma vibração que se espalha em esplendor, um desabrochar radiante.
“O verdadeiro amor é algo muito profundo e calmo em sua intensidade; pode muito bem não se manifestar em quaisquer atos exteriores, sensacionais ou afetuosos.”
Ídem.

Porém, a vibração do amor se distorce na medida em que se afasta de sua fonte de origem. Chega a distanciar-se tanto que, segundo a Mãe, há alguma dificuldade em se reconhecê-lo na criação. Nela, sua essência se encolhe. As criaturas tendem a um amor egoísta, capturado pelo egoísmo e seu sentido de exclusividade e posse. Assim o que seria um desabrochar radiante pode murchar antes de abrir.
“Você se sente solitário porque sente a necessidade de ser amado. Aprenda a amar sem exigir, ame apenas pela alegria de amar e você nunca mais se sentirá só.”
Ídem.
Em nosso atual estágio de evolução, poucos vivem um amor desinteressado. Amar para nós significa querer o amado (posse); significa também, querer que ele nos ame (realize nosso desejo de ser amado). Queremos dispor da presença do amado e, mesmo sem ter essa intenção, o atamos ao nosso próprio modo de ser. Então, o que era destinado a irradiar e desabrochar de maneira única, de certa forma, murcha porque o limitamos. É difícil amar em liberdade.

Quanto mais pura for uma consciência, maior será sua capacidade de amar
Para a Mãe a qualidade do amor é proporcional a qualidade da consciência e, ilustra essa afirmação comparando-a com a água. A água mais pura e cristalina das rochas, quando misturada em vasos com diferentes graus de lama, ficará turva na proporção do barro a que é misturada. Desta forma, já não será mais a água da origem, mas é agora água poluída de lama. Para ela quanto mais pura for uma consciência, maior será sua capacidade de amar. Diz a Mãe:
Se você tiver a consciência de um animal, amará como um animal. Se você tiver a consciência de um homem comum, amará como um homem comum. Se você tiver a consciência de um ser maior, amará como um ser maior. Se você tiver a consciência de Deus, amará como Deus.
Ídem.
O Amor iniciou o movimento da criação. Na criação o Amor realiza uma trajetória em arco. Ele sai da alegria de sua própria identidade e cria o outro ser. Manifesta-se nele, e o acompanha em sua trajetória evolutiva até que este ser torne-se tão autoconsciente e purificado que possa reconhecer e amar, o Amor que o criou. O encontro entre ambos produz a felicidade incomparável da união e, o Divino se enriquece nesta trajetória porque vive a experiência e a evolução de sua criação. O arco do amor se realiza quando o homem se entrega ao Amor que a ele se doa incessantemente.

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