O símbolo de Sri Aurobindo é composto por:
- Um triângulo descendente
- Um triângulo ascendente
- Um quadrado
- O elemento água
- A flor de lótus
O símbolo organiza-se pelo entrelaçamento de dois triângulos, um com o vértice voltado para baixo enquanto o outro é dirigido para cima. No centro deste entrelaçamento encontra-se um quadrado que tem sua base recoberta por água, e dela brota uma flor de lótus. Esta flor destaca-se como o centro do símbolo.
O Ser Divino Uno e Trino está presente nas grandes religiões, e é representado pelo triângulo. Esta representação propõe um dinamismo onde a unidade do triângulo é estabelecida na relação com seus três ângulos e seus três lados. No símbolo de Sri Aurobindo este dinamismo se amplia porque são dois triângulos que se entrelaçam e seguem em sentidos diferentes, e ao se cruzarem criam um quadrado, figura geométrica que representa a matéria. Nesse movimento de um triângulo descendente e outro ascendente Sri Aurobindo desenha sua concepção do Divino e de sua Criação.
Sri Aurobindo simboliza através do triângulo descente a trindade divina: SAT, CHIT, ANANDA – Existência, Consciência-Força, Beatitude. Cada um destes termos implica necessariamente os outros dois, assim Realidade (Existência) é concomitantemente Consciência e Beatitude. Estes termos não expressam um Deus longínquo, fora de nós e de nosso mundo, que em seu mistério desafia nossa lógica. Somos Ele, nada existe fora dele e esta correlação trinitária atua constantemente em todas as coisas, embora represente um enigma para a mente que não consegue compreender o Um que é Três, o Três que é Um. Sri Aurobindo comenta que nesses casos não seria inútil, nem irracional fazer um exercício de comparação e oposição entre esses três elementos, tentando reparar no envolvimento, reciprocidade e distinção entre eles. Não que isso possa esclarecer o mistério, mas pode produzir alguma proximidade em relação a ele. Pode-se recorrer a um exemplo do reino vegetal, onde uma diminuta semente possui em si a árvore plena, as flores e os frutos que por sua vez, conterão a semente.
O triângulo ascendente possui o vértice voltado para cima e revela que assim como o Espírito quer manifestar-se, a Matéria aspira espiritualizar-se, quer ascender e retornar a unidade com o Espírito. Este movimento da trindade ascendente responde ao chamado do Espírito, Sat, Chit, Ananda, em forma de Vida, Luz e Amor que se manifestam no coração da matéria.
No centro do símbolo, o quadrado surge do entrelaçamento entre os dois triângulos. Ele representa uma figura estável, a matéria, que é a base e sustentação do processo da vida. É muito significativo que no chão deste quadrado, apareça um novo elemento, a água. A água introduz flexibilidade na estabilidade da matéria, dá lugar a mudanças, vivifica. Da água surgiram os primeiros seres vivos, ela é a fonte que nutre e hidrata, é mãe.
A água aparece também como um elemento purificador e cíclico que percorre infinitamente o caminho entre a terra e o céu. Ela eleva-se para se purificar, desce para nutrir. Em sua superfície mineral, a água reflete. Essa capacidade de reflexão latente desenvolve-se na evolução, está na origem da autoconsciência, e seu desafio é refletir o ser Divino presente em todas as coisas.
Nutrido pela terra e pela água, absorvendo a energia do ar e respondendo ao chamado do Sol surge no centro do quadrado a flor de lótus. Ela tem suas raízes implantadas no barro, atravessa a água e surge límpida e imaculada em sua flor, em uma expressão radiante de superação e beleza. A flor de lótus representa o Avatar, o ser Divino que se expressa em um corpo e nele coloca seu poder, sua consciência e sua alegria. A encarnação divina no Avatar representa o florescimento do supremo no humano, glorifica seu corpo e visa erguê-lo sempre mais.

* Recomendamos que os textos do blog sejam lidos duas ou três vezes, se possível com intervalo entre as leituras. Percebemos que cada vez que retomamos um texto de Sri Aurobindo ou da Mãe, ele nos ensina algo que ainda não havíamos notado.