Sonhamos com o final do dia, com o final da semana, sonhamos com o período de férias. Na verdade sonhamos em descansar, em ter um corpo disponível, atento, leve que responda com alegria às solicitações que lhe enviamos. Este sonho em relação ao corpo físico se repete em relação aos corpos vital/emocional e mental que atuam em conjunto.
O descanso apropriado é muito importante para o corpo e para nosso envelope nervoso e constitui a base necessária para que possamos avançar em nosso desenvolvimento espiritual, nossa sadhana. Esse descanso segundo a Mãe deve ser sinal de um poder e não de uma fraqueza. Descansar, não é se entregar ao esgotamento, ao limite das forças, é ao contrário exercer o poder, o direito de estar bem, e para isso, precisamos aprender a descansar.
O descanso pressupõe a atuação da consciência e o contato com forças universais
Assim diz a Mãe:
“O corpo tem uma capacidade maravilhosa de adaptação e tolerância. Ele está pronto para fazer muito mais coisas do que podemos geralmente imaginar… Calmo e tranquilo, forte e equilibrado, ele poderia a cada momento suprir o esforço que é exigido dele, porque teria aprendido a encontrar descanso na ação, e a recuperar, pelo contato com as forças universais, as energias gastas consciente e utilmente.”
A Mãe. Saúde e Cura no Yoga. São Paulo: Editora Shakti, p.157.
O trabalho deveria ser para nós um gasto “consciente e útil de energia”. Quando fazemos coisas que não nos são significativas ou as fazemos em desarmonia com nossa consciência, ambiente ou ritmo, involuntariamente nos contraímos ou criamos uma agitação, um vibração penosa que age em nós como um pequeno turbilhão, segundo a Mãe.
“Se ficarmos agitados, perderemos nosso tempo, perderemos nossas energias, perderemos nosso movimento.”
Procuramos restabelecer nossas energias com a alimentação, a respiração, o sono e o descanso adequados, mas energias maiores estão ao nosso dispor, provenientes de reservatórios de forças universais. Elas nos supririam com abundância se conseguíssemos manter uma relação constante com elas. A Mãe nos indica como entrar em contato com essas forças e descansar mesmo na ação. A fórmula é relativamente simples:
RELAXE, AMPLIE-SE, CHAME PELA PAZ

Relaxe
Diz a Mãe:
“Para começar, a primeira coisa é, por um esforço da vontade, relaxar essa contração, como se faz com um nervo crispado ou um músculo que tem câimbra; você deve aprender a relaxar, ser capaz de aliviar essa tensão em qualquer parte de seu ser.”
Isso implica em sensibilidade para perceber a contração ou agitação e agir partir de uma consciência mais profunda no sentido de soltar o ponto em tensão.
Amplie-se
Depois de ter relaxado, você observa que os efeitos desagradáveis cessaram e então se inicia uma nova etapa, AMPLIE-SE. Para tanto:
“Alguns acham muito útil imaginar que estão flutuando sobre a água com uma prancha embaixo das costas, até se tornarem uma grande massa líquida. Outros fazem um esforço para se identificar com o céu e as estrelas, assim eles se ampliam, ampliam, identificando-se cada vez mais com o céu. Outros ainda não necessitam dessas imagens; eles podem tornar-se conscientes de sua consciência, ampliar suas consciências cada vez mais até se tornarem ilimitados. Podemos mesmo ampliá-la até que se torne tão vasta como a terra ou mesmo como o universo.”
Chame pela paz
“PAZ, paz, paz… tranqüilidade… calma. Muitos desconfortos, mesmo físicos, como todas essas contrações do plexo solar, que são tão desagradáveis e, às vezes lhe dão até náuseas, sensação de sufocamento, de não poder mais respirar, podem desaparecer assim.”
A Mãe nos diz ainda, “não tente entender – deixe que isso entre assim, muito gentilmente, e relaxe, relaxe.”
Acrescenta – repita, repita dias, meses e anos. Persevere até sentir em você a possibilidade de descansar mesmo na ação. “É tão fácil assim.”

Nota: Todas as demais referências deste post estão entre as páginas 156- 150 da obra A Mãe. Saúde e Cura no Yoga. São Paulo: Editora Shakti.
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