Somos viajantes no tempo e estamos aqui, para realizar uma das quase infinitas experiências pelas quais nossa alma passa. Desconhecemos nossa origem e nossa missão no mundo. Estamos semiacordados e o que identificamos com nosso eu, não expressa nosso ser real.

“… O eu que coordenamos e utilizamos de modo consciente para viver é uma pequena parte, mesmo de nossa consciência individual desperta.”

Movemos-nos em uma visão limitada do tempo e de nós mesmos, desse modo:

“Estamos prontos a acreditar (…) que chegamos a existência, primeiro por nosso nascimento físico nesta vida, e deixaremos de existir pela morte desse corpo e a cessação desta breve vida física. Embora isso seja verdade para nossa mentalidade e vitalidade físicas, e para nosso invólucro corporal (…) não é verdade para nosso devenir real no Tempo.”

O ser verdadeiro que somos não morre

O ser verdadeiro que somos não morre

“O ser verdadeiro que somos não morre quando uma vida se acaba, assim como o ator não morre quando conclui um de seus papéis, ou o poeta, quando faz jorrar alguma coisa de si em seus poemas; nossa personalidade mortal é apenas isso: um papel, uma auto-expressão criativa.”

“Quer aceitemos ou não “a teoria dos múltiplos nascimentos da mesma alma, … em diversos corpos humanos nesta terra, é certo que nosso devenir no Tempo vai longe no passado e prolonga-se no futuro.” “Mas, do passado que explica nosso ser atual, nossa mente conhece… apenas essa existência física presente e suas memórias; do futuro que explica a orientação constante de nosso devenir, nossa mente nada conhece.”

seu espírito anseia pela expansão da interioridade que alarga seus limites e o eleva.

Como agir adequadamente com um horizonte tão pequeno?

A partir dessa da concepção de si, de um esquema temporal restrito e do desconhecimento de seu papel diante do mundo, o homem tem dificuldade de escolher, de se posicionar e de agir em diversas ocasiões. Como agir adequadamente com um horizonte tão pequeno?

O homem não está colado a esse destino e pode expandir sua consciência, sua percepção temporal – elevando-se ou interiorizando-se. Acima, em sua dimensão supraconsciente, sai do fluxo contínuo da temporalidade, e é eterno. Interiorizando-se descobrirá um tempo que desdobra-se em:

“um campo infinito de experiências variadas onde a própria existência pressupõe que todo passado é dele e dele igualmente todo o futuro.”

Sri Aurobindo. A Vida Divina: uma visão da evolução espiritual da humanidade. São Paulo: Pensamento, 2018. As referências e conteúdo acima elaborado encontram-se nas páginas 507, 513, 514.

Assim, tateando na obscuridade o homem avança e, habitante de dois mundos oscila: enquanto seu ser de superfície agarra-se ao calendário gregoriano e conta dias, meses e anos, seu espírito anseia pela expansão da interioridade que alarga seus limites e o eleva.

Links

Da mesma forma, releia em nosso blog alguns textos relacionados:

Eu e os outros

A Ciência do Viver: Conhecer a Si Mesmo e Controlar-se (A Mãe)

Educação de si, Educação do outro

Por fim, você também pode se interessar pelo trabalho da Casa Sri Aurobindo.