A Mãe possuía uma espécie de diário espiritual que foi posteriormente publicado com o nome Preces e Meditações, e no dia 29/08/1914 seu pensamento se voltou para o homem e seu lugar no universo. Em sua reflexão, fruto de sua capacidade de transcender as aparências rumo ao centro profundo que habita cada ser, disse que o sentido da vida do homem é construir pontes.
O homem – ponte
Segundo a Mãe, o homem seria a ponte que teria por objetivo ligar “os esplendores da Vida Divina e a obscura e dolorosa ignorância do mundo material.” (A Mãe. Preces e Meditações. Salvador: Casa Sri Aurobindo, p. 200.) O papel do homem seria estar aberto ao alto, conectar com os projetos e com as forças divinas, recepcioná-las em seu ser, fazê-las conscientes em seu próprio corpo, e projetá-las então para o mundo exterior, realizando-as na matéria. Com isto o homem construiria o elo entre a luminosidade do Divino e a obscuridade da matéria.

O homem – ser intermediário
A Mãe continua sua reflexão dizendo que a morada verdadeira do homem, a sede efetiva de sua consciência deve estar no mundo intermediário, o ponto de junção dos quatro braços da cruz em X, o traço de união quaternário. O que poderia significar isso? Lançamos uma possível interpretação.
Se observarmos esta cruz em X veremos que ela forma dois vértices – um descendente e outro ascendente. Veremos também, no centro, um ponto onde estes dois vértices se tocam. Este é o lugar do homem, o lugar intermediário entre as energias divinas que rumam em direção à matéria e as energias materiais que se elevam em direção ao Divino. É neste ponto que, segundo a Mãe, o homem teria seu lugar específico. Ela o diz de forma poética:
“… lá onde todo infinito do Impensável toma forma precisa para ser projetado na inumerável manifestação…”
Ídem, p.201.

O chakra do coração
No ioga, o chakra do coração é o ponto de encontro entre esses dois vértices que formam a cruz em X, lá as energias divinas se cruzam com as materiais, e a abertura desse chakra permite um casamento, uma comunhão entre essas duas energias. Por isso a Mãe nos diz:
“Esse centro é um lugar de amor supremo e consciência perfeita, de puro e total conhecimento.”
Ídem.
Para o homem a vida é basicamente uma questão de sobrevivência, centrado em si ele não percebe o lugar maravilhoso que lhe cabe no desenho do universo. Não se percebe como ponte, lugar intermediário, ponto de travessia. Ao concentrar sua atenção e voltar a maioria de seus esforços ao ser exterior, o homem perde o contato com o principal objetivo de sua vida, aquele capaz de dar sentido a sua ação no mundo.

E, assim como a corda do violino precisa estar muito afinada para produzir sons celestiais, assim também o universo solicita o refinamento do homem para que possa cumprir seu papel. Só mergulhando em seu interior, em contato com sua consciência profunda e afinando seu corpo ele conseguirá ser esse lugar de ligação. Por isso a Mãe termina essa anotação em seu diário rogando:
“Estabelece aí Senhor os que
podem
devem
e querem servir-Te verdadeiramente, a fim de que Tua obra possa cumprir-se, que a ponte seja definitivamente estabelecida e que incansavelmente Tuas forças possam espalhar-se no mundo.”
Ídem.
Links
Por último, listamos alguns textos sobre o Homem já publicados em nosso blog:
Você também pode se interessar pelo trabalho da Casa Sri Aurobindo.