“Hoje eu recebi uma pergunta em relação a uma frase que eu disse a vocês no dia 14 de agosto, véspera do aniversário de Sri Aurobindo. E essa pergunta me pareceu interessante, porque se tratava de uma dessas frases um pouco crípticas, quase ambíguas pela simplificação, e que eu a quis dessa maneira a fim de que um cada pudesse compreender segundo o plano de consciência em que ele se encontra. Eu já lhes falei muitas vezes dessa possibilidade de compreender as mesmas palavras em planos diferentes; e essas palavras foram expressas deliberadamente com uma simplificação, uma imprecisão voluntária, a fim de que, justamente, pudessem servir de veículo a essa complexidade do sentido que elas devem expressar.

Esse sentido é um pouco diferente nos diferentes planos, mas é complementar e é verdadeiramente total somente se somos capazes de compreendê-lo em todos esses planos ao mesmo tempo. A verdadeira compreensão é uma compreensão simultânea, em que todos os sentidos são percebidos, apreendidos, compreendidos, ao mesmo tempo; porém, para expressar, como temos uma linguagem muito pobre à nossa disposição, somos obrigados a dizê-los um após o outro com muitas palavras e muitas explicações… É isso que vou fazer agora.

A pergunta tem a ver com esta frase em que eu falei do nascimento de Sri Aurobindo (era a véspera do aniversário de seu nascimento) e eu disse: um “nascimento eterno”. Alguém me perguntou o que eu queria dizer por “eterno”?

Naturalmente, se tomamos as palavras ao pé da letra, um “nascimento eterno”, isso não significa grande coisa. Mas eu vou, justamente, explicar a vocês como pode haver – e há, efetivamente – uma explicação física ou uma compreensão física, uma compreensão mental, uma compreensão psíquica e uma compreensão espiritual.

Fisicamente, isso quer dizer que as consequências desse nascimento durarão tanto quanto o tempo da Terra. As consequências do nascimento de Sri Aurobindo serão sentidas durante toda a existência da Terra. E então, eu chamei isso “eterno”, de uma maneira poética.

Mentalmente, é um nascimento cuja memória durará eternamente. Ao longo das eras o nascimento de Sri Aurobindo será lembrado, assim como as consequências desse nascimento.

Psiquicamente, é um nascimento que se repetirá eternamente, de época em época, na história do Universo. Esse nascimento é uma manifestação que aconteceu periodicamente, de época em época, na história da Terra. Isto quer dizer que o próprio nascimento se renova, se repete, se reproduz, trazendo, talvez a cada vez, algo mais – de mais completo e de mais perfeito – mas é o mesmo movimento de descida, de manifestação, de nascimento em um corpo terrestre.

E finalmente, do ponto de vista puramente espiritual, podemos dizer que é o nascimento do Eterno na Terra. Pois cada vez que o Avatar toma uma forma física, é o nascimento do Eterno, Ele mesmo, sobre a Terra.

Tudo isso, contido em duas palavras: um “nascimento eterno”.[…]”

A Mãe, “Entretiens” 1957-8
4 de setembro de 1957, página 202-3