Nossa divindade nos chama nas coisas irrealizadas.
Adormecidas nos vastos campos do destino,
Um mundo protegido pelas asas sussurrantes do Silêncio
Preservou sua bela impossibilidade.

Mas se separam, mas vibram os portões azul-celeste,
Esplendores fechados mergulham em nossos olhos sonhadores;
Levamos em nós deidades orgulhosas e magníficos destinos;
Do Paraíso se aproximam rostos e mãos.

O que assim brilhava longe lá no alto, está aqui em nós;
A beatitude não alcançada é o direito-de-nascimento de nosso futuro;
A beleza é amorosa de nossa alma obscurecida;
Somos herdeiros de vastidões infinitas.

O impossível é o indício daquilo que será,
O mortal, a porta da imortalidade.

Sri Aurobindo, julho 1938 – outubro 1039