O Amor é uma força que exerce contínua atração sobre todos os seres. Ela alegra, aproxima e eleva a vida, as pessoas, as relações. O verdadeiro amor, ama sem querer nada em troca, não é egoísta, não é tocado pelo ciúme ou pelo desejo de posse, quer o bem do amado e sua realização – deseja ser um com ele.

Pensamos no amor como algo muito pessoal vivido pelos seres humanos, mas segundo a Mãe: “O Amor é uma das grandes forças universais que existe em si mesma e movimenta-se em total liberdade.” * O Amor não é limitado aos seres humanos. “Seu movimento está aí nas plantas, talvez até nas pedras; é fácil reconhecer sua presença nos animais.” A Mãe, em conversa com os discípulos, os convida a comungar com a Natureza em uma vivência que une as árvores e o ser humano em uma aspiração pelo Amor Divino. Ela pode ocorrer em corações sensíveis, especialmente no momento em que o dia se escoa e a noite se anuncia e, diante do pôr do sol, sente-se a necessidade de silenciar e agradecer. Diz a Mãe:

Nos homens, o Amor existe segundo sua capacidade de receber e manifestar essa força. Ela os encontra pouco receptivos, cheios de impureza e cobiça, querendo colocar sob seus domínios essa força universal. “Todas as alterações desse Grande Poder vêm da obscuridade, da ignorância e do egoísmo de “nossos” instrumentos limitados.” Assim embora o Amor nos toque constantemente, temos dificuldade de identificá-lo, oculto em nossas paixões e limitações. “Mas, onde quer que em uma história humana de amor, se tenha encontrado até mesmo um átomo de amor puro e permitido a ele se manifestar, estaremos na presença de algo verdadeiro e belo.”

No mundo o Amor revelou-se em um grande sacrifício. “Este mundo era um mundo de matéria morta até que o Amor Divino descesse nele e o despertasse para a vida”. O Amor Divino manifestou-se no mundo como um grande holocausto, uma doação suprema de Si. Nele: “A Consciência Perfeita abraçou e foi absorvida na inconsciência da matéria, a fim de que ela pudesse ser despertada nas profundezas próprias da obscuridade, para que pouco a pouco o Poder Divino fizesse de todo universo manifestado, uma expressão mais alta da Consciência Divina e do Amor Divino.” Este sacrifício clamou e clama pela libertação de todos os seres.

“Com o despertar para o Amor entra no mundo a possibilidade de retorno ao Divino. Através do amor, a criação se eleva em direção ao Divino, e em resposta o Amor Divino e Sua Graça se inclinam ao encontro da criação. O amor só pode existir em sua pura beleza, só pode assumir seu poder natural, a alegria intensa de sua plenitude, neste intercâmbio, nesta fusão entre a Terra e o Supremo, neste movimento de amor que vai do Divino à criação e da criação ao Divino.”

Quando isso ocorre, “o círculo do movimento concreto está concluído; as duas extremidades se encontram… o Espírito Supremo e a Matéria manifestada se juntam e sua união divina torna-se completa e constante.” A Matéria vive a alegria do encontro com Amor Divino e o Divino a alegria de sua realização na Matéria.

Eles realizam um casamento perfeito.

* La Mère. Entretien. 1929-1931. Tradução de Ricardo Galindo publicada em O Caminho Ensolarado. Todas as citações e paráfrases são retiradas do texto citado.