O ser humano está se aperfeiçoando, evoluindo. O corpo, a vida, a mente e o espírito ainda se integram de forma imperfeita e precisam ser trabalhados e transformados em nós. Essa é nossa tarefa diante da evolução. A desafiadora transformação do corpo será o tema desse texto.
“Não é um corpo crucificado, mas um corpo glorificado que salvará o mundo.”
A Mãe
O corpo, transformação de algo complexo e inconsciente
A Mãe explica que o corpo não é algo muito simples. Nele existem centenas de entidades combinadas umas inconscientes das outras. Elas são harmonizadas por algo mais profundo que elas não conhecem.
Raramente pensamos que órgãos e células que funcionam em conjunto no corpo, possuem também uma identidade separada capaz confrontar o próprio organismo. Estes pequenos seres lutam como qualquer ser vivo, para manter sua vida e seu espaço. Isso se mostra na ação da célula cancerosa sobre o corpo.
Segundo a Mãe, “essa multiplicidade e divergência de elementos é causa da maioria dos transtornos e doenças.”
The Mother. The Mother’s Vision. Selection from Questions and Answers. Pondicherry. Sri Aurobindo Ashram, p. 541-549.
Complexidade e inconsciência tornam a transformação do corpo mais difícil.
“Para transformar o corpo é preciso estar disposto a fazer milhões de vezes a mesma coisa, porque o corpo é uma criatura de hábitos e rotina, e para que uma transformação consciente seja efetuada é necessário perseverar por anos.”
Ídem.

O corpo só se transforma pela ação
Outra característica da transformação do corpo é que ela só se realiza pela ação. A Mãe nos explica que no corpo conhecer é poder realizar.
“Há algo bastante notável: a consciência física-corporal, não pode conhecer uma coisa com precisão, em todos os detalhes, exceto quando a realiza. Para o corpo saber, é ter o poder de fazer.”
Ídem.
Ela nos dá um exemplo: Você não conhece um movimento de ginástica exceto quando o faz, e o faz bem. Para se conhecer um movimento é necessário executá-lo, o que exige concentrar a consciência em sua tensão e distensão, direção, velocidade, coordenação, concatenando cada elemento ao conjunto que se está se fazendo, desfazendo e modificando continuamente.
Os sentimentos como alegria, paz ou amor também são abstratos ao corpo até que ele os realize. Nesse sentido, por exemplo, ele vivencia a paz como uma descontração que libera, que permite um relaxamento agradável, onde ele parece perder peso e viver uma leveza que descontrai a face, põe brilho no olhar, melhora a digestão, a circulação e o movimento. O corpo sem rigidez e leveza realiza em si a paz.
A transformação do corpo, lenta e difícil, pode tornar-se mais ágil e mais fácil, segundo a Mãe, se o ensinarmos a se entregar, abrir e aspirar. Na entrega a consciência solicita ao corpo se soltar, sair da defensiva, abandonar o medo e abrir-se ao novo. Segue-se a aspiração que revela que há algo melhor a conquistar – uma habilidade, uma flexibilidade, uma sensibilidade, uma força nova. O corpo é um grande aliado e colabora com sua transformação quando o convidamos, o respeitamos e o ensinamos a fazê-lo.
A transformação do corpo, lenta e difícil, pode tornar-se mais ágil e mais fácil, se o ensinarmos a se entregar, abrir e aspirar.
A Mãe
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