Algumas vezes, ocorre pensarmos em uma próxima encarnação ou renascimento e então vem à nossa mente: Tudo de novo? Que preguiça! Sri Aurobindo nos anima:

“É para experienciar, para o crescimento do ser individual que a alma escolhe renascer.” Em função desse objetivo, ela aceita como meios de crescimento, “a alegria e o pesar, dor e sofrimento, fortuna e sorte.” 

 Sri Aurobindo. A Vida Divina: Uma visão da evolução espiritual da humanidade. São Paulo: Pensamento, 2018, p.730

Diz também que “Só podemos justificar nossa existência por uma mudança em nosso ser exterior, uma constante progressão na natureza, um crescimento no espírito.” Ou seja, a cada novo nascimento, a cada retorno vivenciamos uma situação nova e experimentamos um crescimento em nosso ser.

Diante da necessidade cósmica e pessoal que acompanham nosso desejo de crescer, precisamos – de um lado, reter nossas experiências passadas e, de outro, não ficar aprisionados por elas.

O passado como obstáculo

“Se um desenvolvimento constante do ser devido a uma experiência cósmica que se desenvolve é o sentido do renascimento e a construção de uma nova aprendizagem é seu método, então toda lembrança persistente ou completa da vida passada ou de vidas passadas deveria ser uma amarra ou um obstáculo sério… que entrevaria o desenvolvimento livre da nova personalidade e sua formulação da nova experiência.”

Páginas 730/734 da mesma obra.

“Uma recordação clara e detalhada de amores, ódios, rancores, apegos e conexões do passado seria… uma inconveniência prodigiosa, pois ligaria o ser encarnado a uma repetição inútil ou continuação compulsória de seu passado superficial e pesaria muito sobre ele, impedindo-o de trazer para fora novas possibilidades das profundezas de seu espírito.”

Páginas 730/734 da mesma obra.

O passado como bagagem 

Por outro lado existe uma relação entre a experiência de vidas passadas e as condições das próximas encarnações:

“Quanto maior a variedade de formações que existiram no passado e possam ser utilizadas, quanto mais ricas e multiformes as construções acumuladas da experiência, mais o resultado essencial de sua capacidade de conhecimento, poder, ação, caráter, de resposta múltipla ao universo pode ser manifestado e harmonizado no novo nascimento.”

Páginas 730/734 da mesma obra.

Com a morte perde-se a recordação clara, a informação detalhada da vida ou das vidas anteriores, mas não a compreensão interna e o crescimento que ela nos trouxe. Nosso ser interior (o subliminar) que não é limitado por nossa personalidade de superfície lembra-se, e conduz a partir de dentro as experiências que serão possíveis em uma nova vida, respeitando a complexidade das muitas personalidades já vividas e seu potencial latente para emergir em situações novas. 

A personalidade de superfície que não é consciente e, desconhece a ação interna que a dirige em sua nova vida, assemelha-se, segundo Sri Aurobindo, a uma árvore:

“Assim como a árvore cresce por uma assimilação subconsciente ou inconsciente da ação do sol, da chuva e do vento ao absorver os elementos da terra, assim o ser cresce, por meio de uma absorção subliminar ou intraconsciente dos resultados de seu devenir passado e produzindo as potencialidades de seu devenir futuro.” 

Páginas 730/734 da mesma obra.

Podemos avaliar nossa vida como recompensa ou punição de nossas ações passadas, mas para Sri Aurobindo essa ideia não reconhece que a vida não é simplesmente um mecanismo ético ou moral de prêmio e castigo, mas uma trajetória sábia e amorosa para nos fazer crescer, evoluir, ser mais perfeito.

Links

Leia também outros conteúdos relacionados ao tema Passado, Evolução e Renascimento:

Evolução e Consciência

O Caminho do Ioga

A Vida inteira é Ioga

O que é o Ioga?

Você também pode se interessar pelo trabalho da Casa Sri Aurobindo.