A pergunta “como tudo começou?” é importante porque a origem sinaliza não só o ponto de partida, mas também a trajetória, indica a meta a ser realizada. Há uma sabedoria popular que diz que o início das coisas marca sua continuação. Nossa reflexão neste post será sobre a origem do universo. Existem várias teorias sobre a origem do universo, e neste texto  enfocaremos questionamentos de Sri Aurobindo, sobre o Nada como uma possibilidade de sua origem. A escolha do tema deve-se a postura niilista predominantemente adotada em nossa sociedade. Como seria um universo sem projeto, desenvolvendo-se aleatoriamente, sem comando e sem  consciência? 

Foto da NASA no site Unsplash

Seria o Nada a origem do universo?

Recortamos essa análise da obra A Vida Divina. Nela encontramos uma argumentação fundamental do autor a respeito do tema:

“… nada poderia sair do Nada, nem mesmo uma simples aparência, nem mesmo uma ilusão.”

Sri Aurobindo. A Vida Divina. Uma Visão da Evolução Espiritual da Humanidade. São Paulo: Pensamento, 2018. Reflexões, paráfrases e citações das páginas, 518-519.

Pergunta, então Sri Aurobindo: O Nada poderia ter um sentido além da negação e ser uma Potencialidade absoluta de onde tudo poderia se originar?

Segundo o autor se essa potencialidade absoluta fosse a origem do universo,  tudo poderia surgir dessa existência, sem que se pudesse dizer nem o que, e nem o por quê, diante disso faz outra pergunta: desse caos absoluto poderia surgir alguma ordem no universo?

Mas, haveria ordem nesse universo? Ou o que chamamos de ordem seria simplesmente uma construção e repetição de hábitos  na mente, nos sentidos e na vida? Para Sri Aurobindo a ordem não poderia provir de uma lei de ignorância e caos.

Foto da NASA no site Unsplash

O que diz a ciência?

A própria  ciência parece descartar a idéia de que o universo teria evoluído ao acaso, sem motivo, sem sentido. Estudos científicos demonstram que “se a taxa de expansão do cosmo tivesse sido um pouquinho menor ou se a gravidade tivesse sido insignificantemente maior o cosmo não teria desenvolvido estrutura alguma.

As quatro forças básicas – gravidade, eletromagnetismo, força nuclear forte e força nuclear fraca – precisam estar perfeitamente equilibradas para possibilitar o desenvolvimento de um cosmo com estruturas. A probabilidade de esse equilíbrio ocorrer ao acaso foi estimada em apenas uma em 10 elevado a potência 229, (quer dizer uma seguida de 229 zeros).

Mark Hathaway, Leonardo Boff. O Tao da Libertação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012, p.376.

Esse número é tão pequeno que nossa mente humana não o compreende.

Foto da NASA no site Unsplash

Nossa postura caótica e niilista

Deixando um pouco de lado a validade científica ou filosófica dessa questão, que aqui postula o Nada como a origem do universo, parece que na prática assumimos essa postura, sem nos perguntar por sua verdade ou validade. Nos sentimos em um mundo sem rumo, e se todos os absurdos podem surgir do caos, nós os vivemos diariamente. 

Não que se queira validar um sentido qualquer que nos dê segurança de  maneira acrítica ou alienada, ou então, propicie um conforto sem fundamento para aplacar as contradições e dores da existência. Por outro lado, parece irracional  e absurdo, fazer diariamente escolhas  irresponsáveis, diante das pessoas e diante do planeta, mesmo que isto signifique um meio ambiente a cada dia mais degradado, e uma sociedade cada vez mais doente.

Temos a impressão de que estamos em um jogo sem regras, em um vale tudo, como se não houvesse um critério mínimo para separar o justo do injusto, o verdadeiro do falso. Vivemos governados por uma perspectiva niilista que engole tudo como se fosse um buraco negro, e a humanidade parece, neste momento, colaborar com sua própria destruição. 

Foto de Gilly Stewart no site Unsplash.

A visão de Sri Aurobindo  

Depois de analisar a possibilidade de um universo que evolui a partir de uma Potência absoluta, o Nada, Sri Aurobindo coloca sua posição. Para ele o universo é fruto de uma existência inteiramente autoconsciente e, portanto, mestra de si. O universo não é uma ilusão sem propósito, nem um acidente fortuito, o universo tem um sentido e um objetivo que assim poderia ser expresso:

Revelar de forma progressiva a Realidade, superior, transcendente e luminosa que age, neste momento, de forma aparentemente incompreensível e caótica porque toma os meios e materiais que encontra neste universo como seu campo de ação. Esta Realidade superior está em nós como a semente está para árvore, e a cada ato mais verdadeiro e mais justo que nossa consciência / força realiza, este objetivo ganha um pouco de realidade. 

É um ato de liberdade perguntar a cada momento se mergulhamos no fluxo caótico ou buscamos a ação consciente que dinamiza as potencialidades da semente.

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Da mesma forma, releia em nosso blog alguns textos relacionados:

O Homem no Universo I

O Homem no Universo II

A Ciência do Viver: Conhecer a Si Mesmo e Controlar-se (A Mãe)

Educação de si, Educação do outro

Por fim, você também pode se interessar pelo trabalho da Casa Sri Aurobindo.