O amor que cada um necessita, a Mãe sempre dá.
A Mãe
Todos nós precisamos de colo. Colo é o lugar do aconchego humano, do abraço, do envolvimento. É o lugar onde a força e a ternura se unem, e nos sustentam. O colo de alguma forma é colo de mãe. A Mãe tem um lugar especial na história espiritual de quase todos os povos. A Mãe gera, cria e acompanha seus filhos. Ela cuida, ela protege, ela ama. Lutando, defendendo ou corrigindo, ela está ao lado de seus “pequenos”. Este texto nos traz um pouco da visão de Mirra Alfassa, também chamada A Mãe, sobre a Mãe Divina.
(Texto elaborado a partir da obra The Mother. The Mother’s Vision. Pondicherry: Sri aurobindo Ashram, 2002, p.49.)
A face feminina e materna de Deus atua em três princípios
A Mãe é a face feminina e materna de Deus. Possui três grandes princípios: o transcendente, o universal e o individual. O transcendente que está acima da criação, é autoexistência, consciência plena e não manifestada. O universal que origina e expressa a criação. O individual que se identifica com o ser que, mesmo por engano, se percebe separado, e que em nós poderia ser chamado de EGO. Estes três grandes aspectos do Divino são também aspectos da Mãe Divina, pois o Divino é uno, e as distinções feitas são apenas formas de compreendê-lo.
A Mãe Divina, força criativa de Deus, é normalmente identificada com a sua manifestação cósmica/universal, a Shakti divina, mas apresenta também as faces – individual e transcendental.

Na criação o Divino é Mãe
Como Mãe, ela dá à luz, cria e acompanha seus filhos. Por isso desceu à Terra, para participar da natureza humana e acompanhar a cada um individualmente. Se ela permanecesse em sua consciência e conhecimento transcendentes, onde não há sofrimento, ela não poderia ter tido contato estreito conosco, para que isso acontecesse precisou tomar a consciência e a forma do ser humano.
Portanto, para ser próxima do homem a Mãe aceitou a forma e a vibração humanas, aceitou estar no corpo, porque vivendo e sentindo a condição humana poderia compreender e ajudar seus filhos em todas as situações. Mas, mesmo adotando a nossa consciência, a Mãe permaneceu em sua própria realidade e plenitude, constituindo dessa forma, um elo entre a condição suprema do divino e a carência do ser humano.

A alquimia que transforma o humano no Divino
Ao tomar o corpo humano e uni-lo ao divino, a Mãe criou uma espécie de alquimia de transformação, que não teria sido possível se ela não tocasse a matéria. Como ponte de ligação entre as duas esferas, ela conhece profundamente cada filho seu, conhece a divindade latente em cada um, e a mantém presente, mesmo que este projeto esteja ainda encoberto pela ignorância que reside no homem.
Com seu olhar amoroso, a Mãe sustenta seus filhos nas securas da vida, com seu poder ela os mantém em evolução e aperfeiçoamento, os mantém na superação de si até nos momentos em que sua vontade seria desistir. Podemos não perceber, mas a graça e força da Mãe preenchem todo o universo, e estão aí presentes.
Nossa abertura aos planos sutis implica na progressiva consciência da Mãe. Seja na forma de uma mãe terrena ou nos traços humanos com que se representam as Mães nas religiões, seja ainda como força e amor cósmico presentes em todos os lugares, a Mãe tudo penetra. E, embora a Mãe seja bondade e compreensão, ela não permite que as pessoas ignorem o projeto pessoal e divino que vive em cada um, ela não as permite parar, pois o objetivo é a perfeição. Para tanto a Mãe guia, fortalece, ampara, dá colo, estimula seus filhos a seguir.

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