Existência em Plenitude.
Consciência Absoluta.
Felicidade, Alegria de Ser.
Este é o Ser Eterno em nós, o Ser Eterno que existe em todos os seres.
O desconhecimento quase total de nossa essência, nos restringe a uma visão pequena de nós mesmos, das coisas e pessoas ao nosso redor. Por isso a flor que apresentamos neste post chama-se Sachchidananda, é uma planta simples que nasce em brejos e beira de estrada. Seu nome científico é Hedychium, mas é conhecida popularmente como Lírio do Brejo, Bastão de São José, entre outros. A Mãe a nomeou Sachchidananda, porque em sua visão ela é:
“Forte e pura, permanece ereta em seu poder criativo.”
(The Mother. The Spiritual Significance of Flower, p.9)

Sri Aurobindo construiu a expressão Sachchidananda pela reunião dos termos sânscritos: Sat Chit Ananda.
“O Supremo é Puro Ser, Existência Absoluta, sat…
O Supremo é também Pura Consciência, Consciência Absoluta, cit…
O Supremo é, finalmente Puro Êxtase, Felicidade Absoluta, ananda…”
(Sri Aurobindo in The Mother. The Spiritual Significance of Flower,p.7)
“Aquilo que se lançou em formas é uma trindade Existência-Consciência-Bem-aventurança, Sachchidananda, cuja consciência é, em sua natureza, uma Força criativa ou auto-expressiva capaz de variação infinita no fenômeno e na forma de seu ser auto consciente, desfrutando infinitamente o prazer dessa variação. Segue-se que todas as coisas existem e são o que são como termos dessa existência, termos dessa força consciente, termos desse prazer de ser.”
(idem,p.8)
É significativo a Mãe ter escolhido uma flor tão simples e perfumada para representar o Divino. Ela não escolheu uma orquídea rara, mas uma flor comum em que destacou características como: força, pureza, firmeza, abertura ao poder criativo.
Também somos flores que possuem as características de Sachchidananda, Existência, Consciência e Bem-aventurança, flores-semente destinadas a explorar e realizar infinitamente nossas potências ainda adormecidas.
Quando a Mãe fala de força ela remete a coragem, essa coragem de ser o que se é; ao citar a pureza ela propõe que nos mantenhamos fiéis a nossa essência, evitando tudo o que corrompe e nos afasta deste princípio imaculado que nos rege; quando fala de firmeza ela acentua a importância da perseverança, fidelidade, continuidade, porque uma planta não floresce da noite para o dia. Como fazer isso? Entregando-nos mais e mais ao poder criativo que há em nós, da mesma forma que as plantas se entregam a suas sementes. O “como” nasce do contato, do autoconhecimento, da entrega, mas sua realização por menor que seja, perfuma como este “lírio do Brejo”, Sachchidananda, os lugares comuns de nossa vida.

*Crédito das fotos: Foto destaque (capa) extraída do livro “The Mother: The Spiritual Significance of Flowers”. Fotos do texto tiradas no Parque Barigui (em Curitiba).
* Recomendamos que os textos do blog sejam lidos duas ou três vezes, se possível com intervalo entre as leituras. Percebemos que cada vez que retomamos um texto de Sri Aurobindo ou da Mãe, ele nos ensina algo que ainda não havíamos notado.