“As plantas crescem porque elas aspiram pela luz, pelo sol e pelo ar livre.”
The Mother. Flowers and Their Messages. Pondicherry: Sri Aurobindo Ashram Publication Department, p.I.
A planta, mais que qualquer outro ser na natureza, expressa claramente sua necessidade de luz, move-se e luta por ela.
“Se alguém vai a uma floresta, por exemplo, ou a um parque onde há muitas plantas diferentes, pode observar muito claramente que há uma espécie de competição entre as plantas para uma passar a outra e receber a luz e o ar livre acima.”
Ídem, p.I.
Elas também demonstram com clareza seu desgosto em relação à falta de luz – perdem a cor, esticam os membros, crescem fracas, desbotadas e tristes. “Como regra as plantas sofrem se são deixadas em um ambiente fechado” (Ídem,V) e mostram sua satisfação quando colocadas em uma luminosidade adequada. A luz as colore e lhes dá vida.
Se compararmos os reinos vegetal, animal e humano, o reino vegetal é o mais sincero, o mais explícito em sua necessidade de luz. Os homens muitas vezes nem percebem o quanto dependem ou desejam a luz. Identificar a necessidade do sol físico se torna um desafio em sociedades urbanas, porque as pessoas vivem dentro de casas, apartamentos, fábricas, escritórios com pouco contato com o ar livre e a luz do sol e, em função disto, podem ficar doentes, apáticas ou deprimidas. Gritam por luz sem perceber.
“As plantas necessitam da luz do sol para viver – o sol representa a energia que as faz crescer.”
Ídem, p.II.

A ação do sol produz nas plantas um crescimento no sentido de realizar sua semente, revelar sua identidade e culmina no florescer. Na flor a planta revela sua beleza, sua forma única, sua cor e seu perfume. A luz é a força e a condição que atrai irresistivelmente a planta ao desenvolvimento de si mesma, e embora não tenha uma consciência explícita disto, ela move-se nesta direção. O homem também cresce em direção à luz, mas o reconhecimento deste movimento depende de um despertar de sua consciência, e o que é tão “claro” para as plantas precisa ser descoberto e cultivado no homem.
O homem não quer apenas a luz física. Anseia por uma mente iluminada, um coração onde brilhe a chama do amor, e mais do que tudo, deseja a luz do espírito. Diferente de uma planta, o homem pode resistir à luz, não conseguir identificá-la, ou mantê-la. Isto ocorre justamente porque o movimento do homem em direção à luz não se dá com a mesma espontaneidade das plantas.
Descobrir os efeitos da luz ou sua ausência em cada parte de nosso ser é um exercício de atenção continuada em nós mesmos e o exemplo do mundo vegetal é fascinante, porque ele em sua espontaneidade nos ensina a alegria da entrega, do crescer e do florescer pela ação da luz.
* Recomendamos que os textos do blog sejam lidos duas ou três vezes, se possível com intervalo entre as leituras. Percebemos que cada vez que retomamos um texto de Sri Aurobindo ou da Mãe, ele nos ensina algo que ainda não havíamos notado.